terça-feira, 10 de maio de 2022

Água

 
Aqui jaz
Quem escreveu
Seu nome com água.
Na lápide,
Gota de orvalho fria,
Rosa solitária se via
Balançando, acenando
Adeus movida pela brisa.
A sabiá triste cantiga,
De galho em galho
Seguia, notas sombrias
Naquele lugar se ouvia.
Disse Tales nesta premissa:
“Água que em tudo existe”.
Cadáver na terra umedecida,
Algumas lágrimas de um rosto
Solitário escorria.
Corpo vivo e
presente ali se fazia.
Quem foi este ou esta?
Nome, o tempo apagara,
Nem um risco existia.
Quem seria?
A água tanto bateu que
Nenhum registro nominal
Havia.
Sem identificação foi apenas
Pó que a terra abraçaria,
Envolto na água que a tudo
Torna vida.

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"Não me tires o que não me podes dar!... Deixa-me ao meu sol."
- Diógenes de Sinope