terça-feira, 11 de agosto de 2026

Folha



Da árvore divina uma folha caiu.
Pousou no chão que lhe dera vida.
Ao sabor do vento seguiu sua sina.
Mas, algo funesto no seu íntimo emergiu.
 
A sua existência estava por um fio?
O tempo, o sol, o relento a esmaecia.
Antes esverdeada, agora amarelecida.
No galho, apogeu. Sem vínculo, declínio.
 
Decompunha-se conforme a intempérie do dia.
Seguindo o tempo, o ecossistema dela se nutria.
É chegado o momento da travessia do ciclo findo.
 
O Homem adquiriu mortalidade ante o fruto proibido.
A folha se desprendeu ao toque da mão na busca do infinito.
Por egoísmo, para um o jazigo, e para outra a vereda onde desfalecia.
 

 

 

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Roupa Psíquica da Ansiedade


Roupa Psíquica da Ansiedade

Fugir para onde? Se dentro de mim está essa dor.
Corpo, traje do espírito, findo, impossível repor.
Sabendo disso, lamento remendando o desamor.
Tecido liso, estampado, multicor.
 
Ter sido vívido, jamais meramente nascido.
Pressa no íntimo, me visto do jeito que for.
Coração frenético, pensamento célere, tremor.
Incompreendido, sigo, ó pobre sofredor!
 
Reflito enfim: Existo ou vivo? Sou ou não sou?
Roupa psíquica da ansiedade causa-me torpor.
Mas convivo ou finjo? Respiro, prova que ativo estou.
Vestimenta rasgada pelo esforço, complexo exposto.
 
No rosto, marcas da falta de aconchego e amor.
Me queixo encarando o espelho. O que vejo?
Mar de ideias agitadas, choro, olhos vermelhos.
Brisa serena, águas mansas, eis-me velejador.
 
No varal, indumentária ordenada, inexistência do caos.
Dia ensolarado, luz, sorriso, e pareço normal.  
Persisto em negar! Por quê? Enojo da crueza do real.
Fico na zona de conforto e no fundo do poço; fatal!
 
Não dormir, nem sonhar. Idas e vindas do quarto até o sofá.
Passos à noite trêmulos, ora gélidos, ora cálidos. Vigiar!
Odor de mofo impregnado de conflito, desgosto e insanidade.
Triste amanhecer! Vazio no ser, privado de preâmbulo, sem mais nada.
 
Para quê viver? Resta saber! Morrer? Ora, saída da vaidade!
Cosesse pelo avesso, e só, vestuário disforme e de baixo preço.
Infância tolhida e cheia de tropeços. Rebeldia juvenil, coisa da idade!
Afiro, corto, cinjo e passo. Envelheço! Conto anos e descompassos.
 
Costuro retalhos de teorias, careço de magia, sobram às queixas.
Pendurados no cabide lembranças dos planos com incredulidades.
Para reverter a existência, displicência, e tudo que leva a incertezas.
Suturando o fim, tive que aceitar, sim, a roupa psíquica da ansiedade.
 
Estátua do por vir inacabada no jazigo de tantas faltas.
Lápide inscrita: “Aqui jaz despido de brio e mortalha”.
Persistiu em seguir? De modo algum! O medo assolapava.
Por fim, última morada, e assim enterrou à roupa psíquica da ansiedade.

sexta-feira, 13 de junho de 2025

Procurei Por Ti


Foram anos, meses e dias.
Tantos raspões nas idas e vindas,
Início e fim de jornada.
E nada, nada, nada...
Encontro, o destino não permitia.
Omitia toque e palavra.
Guardava arranhões no meu ser.
Lembranças da infância para dizer.
Sem pousadas para a saudade.
Cansaço! Seguia, sem guia; onde estava?
Noite fria, lamentava, chorava sozinha.
E a ti não era permitido sequer afagar.
Mas, a força do desejo,enfim, conspira.
O destino cedia, uma notícia a incendiar.
Por vias tão difíceis e trilhas conturbadas,
Novamente volto a te encontrar.
Agora tudo em mim é paz!
Instante ímpar. Coração eclipsa.
Um abraço, laço de tantas esperas.
Pele, perfume que em mim impregna.
Flor da tardança brotando na janela. 
E em nós, uma nova primavera.

quarta-feira, 21 de maio de 2025

Corria


Seguia superando o tempo, a dor,
a chuva, o calor, o outro, a si. Corria!
Passo a passo, metro a metro.
Cumpria metas, tudo certo. Corria!
Tarde, noite, crepúsculo matutino.
Cansaço, subida. Alivio, descida. Corria!
Possuía o pulsar da vida no coração.
Candência na trilha, na pista. Corria!
No pensamento, ouvia uma canção antiga.
Mão, contramão, celeridade na via. Corria!
Antes treinava, agora, competia. Cronômetro gira.
Soa à buzina, primeiro passo, largada. Corria!
Atrás nem com o olhar. Mentalizar o percurso, focar.
Sempre em frente; enfrente! Extensão diminuía. Corria!
Reta final, o cansaço sobrevinha. Linha de chegada, via.
Resistia! Só (ria) na travessia, conquista! Cor (ria); ia. Corria!

quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

Do You Wanna Dance (Você quer dançar?)


E o tempo de infância?
Veio forte bater à porta do coração.
Toc-Toc, ansioso, quer ver sua nova versão.
Canção inexplicável soa ao vento.
“Do You Wanna Dance”.
No teu rosto os risos de criança permanecem.
No meu ser confuso: saudade, ilusão e esperança.
Minha mão na tua se entrelaçam, enternecem.
Delicado toque nos teus cabelos, cachinhos, trança.
Primeiros passos, dois pra lá, dois pra cá, levemente.
“Do yuo Wanna Dance”.
E sob a magia da música que nos envolve e encanta.
Nem futuro, nem tardança, apenas o instante presente.
Seguimos bailando e felizes a dança, adultos crianças,
Respondendo: “Siiim! Juntos hoje, ontem e sempre!”.
“Do yuo Wanna Dance”.

segunda-feira, 12 de agosto de 2024

Assalto Triplo Sem Barreiras

 

A Olimpíada de Paris-2024 chegou oficialmente ao fim neste domingo, 11 de agosto. A classificação do Brasil no quadro de medalhas foi no 20° (vigésimo) lugar. As medalhas de ouro conquistadas foram apenas 3 (três). Porém, destaco o “assalto triplo sem barreiras”, que se quer merecia chegar às olimpíadas, tendo como representantes a Rede Globo, TV Cazé e SporTV. O trio representante da plena “democracia da comunicação brasileira”, só não tinha na bagagem “câmera inclusiva”. A câmera e os direitos de transmissão foram exclusivos e oficial. Outras emissoras de televisão e canais não obtiveram “as marcas” ou “os meios” necessários para à classificação, sendo desqualificadas no pré-olímpico das mídias, deixando o pódio que se vislumbrava para o trio que dividiu o ouro, louro e o lucro.

 O trio “gritaria com pouco resultado” no que se refere a torcer, emitir informações e imagens do desempenho olímpico brasileiro, mostrou que também tinham os “pés frios”. O trio feria a livre concorrência e a democracia comunicativa, já que são “trigêmeas” nascida da mãe “antidemocracia”. Será que estamos bem economicamente? Pois é, talvez faltou uma graninha para as concorrentes, do contrário, o que houve então? Não se tem retorno financeiro na transmissão dos jogos olímpicos? Ou as outras emissoras “abriram mão” porque era uma exaltação ao profano desmedido? Bem, se falta de dinheiro e falta de espiritualidade foram as causas, então, aprendam com alguns atletas que “venderam balinhas” para pagar despesas, e também não abandonaram suas crenças, usando lenços na cabeça, fazendo sinais religiosos e expressando verbalmente frases de louvor.

 “Bem amigos! O três foi marcante na Olimpíada de Paris-2024: três medalhas de ouro, três emissoras transmitindo”. Se para alguns a “Última Ceia” na abertura dos jogos olímpicos causou indigestão espiritual e a sujeira no Rio Sena provocou doenças, imagina à democracia brasileira assistindo à vitória do autoritarismo no assalto triplo sem barreiras. “Allez Les Bleus, Vert, Jaune, Égalité, Trois...” (Vamos azul, verde, amarelo, igualdade, três...). 

Enfim, se por um lado sobrou transmissões com o uso da “Demência Artificial 3 (DA3)”, felizmente, por outro, ocorreu o caso de inteligência natural olímpica turca, Yusuf Dikeç, que sem o uso de equipamentos durante à prova de pistola de ar de 10 metros por equipe mista, obteve medalha de prata. Viralizou! E outros atletas homenagearam Yusuf fazendo o gesto de arminha. “Allez Les Yusuf Dikeç”, viva a inteligência humana!

quinta-feira, 18 de julho de 2024

Dos U.S.A de Nove as Três


O domingo de sangue e dia D nos Estados Unidos foi de nove as três da manhã com transmissão da Rede Globo. Na imprensa brasileira, “ditadura” é disfarça de “exclusividade nas transmissões”, pois é, a Rede Globo é a maior “opositora” das copas que “los hermanos argentinos” são os vencedores; corta!

Na Copa do Catar (2022) e na Copa América (2024), as imagens da cerimônia de premiação da Seleção da Argentina de Futebol, pluft! Sumiram! Censura? Não! “Direito exclusivo de transmissão”. Amarelou de novo! E a cor azul celeste da alegria ficou manchada pela intolerância, e no caso da Rede Globo, nódoa da “impaciência com a alegria alheia” apagando às imagens e o áudio.

Corta! E, cortou! Ouvidos, olhos, corações, felicidade e respeito pelos argentinos residentes no Brasil que não puderam assistir na integra a festividade de premiação da sua seleção de futebol campeã. Xenofobia? Não! “Direito exclusivo de transmissão”. 

Na Copa do Mundo do Catar (2022), a homenagem ao narrador Galvão Bueno, hoje, “BET brasileiro” teve uma importância fenomenal à época. Corta! E lá se foi o som e imagem do Catar, mas vai te catar, Galvão, narrador de casa de aposta que é motivo de criação de CPI no senado acerca de manipulação de resultado de jogos de futebol. Viu o que dá manipular? Até Paquetá da Seleção Brasileira de Futebol (a amarelinha) está sendo convocado pela CPI, espero que faça um golaço nas respostas dadas no seu depoimento.

Já os “hermanos” são um caso de polícia, porque invadiram o estádio para gritar e torcer, enquanto o amarelo da Rede Globo entrava sem ingresso pelo enfrentamento à segurança e saía do torneio de seleções da América com cobranças de pênaltis horrorosas. Assim, me diz a cor da camisa da sua seleção, que digo quem é você; amarelo!

No domingo, dia D da Copa América (2024), domingo de Di Maria, do D da sua “despedida” da Seleção Argentina de Futebol, o barulho em Buenos Aires inexistia, era tarde da noite, os argentinos optaram pela calma do sono. Sob o olhar da Rede Globo tudo era silêncio, se quer ouvia algo ensurdecedor, mesmo após o gol de Lautaro Martínez (El Toro) dando a vitória a Argentina na prorrogação; corta! Som e euforia apenas dos amarelinhos da Colômbia e dos meios abrasileirados ressentidos, aí sim, a zoeira se fez mais amarela, sem distinção e ao vivo e a cores.

 Lamentável a forma de manipulação do áudio e imagem na transmissão do jogo entre Argentina e Colômbia. Mas é a liberdade de mostrar o que se quer, e não ser equânime como o projetil que não escolheu em quem iria acertar, se a orelha de Donald Trump ou outro alvo, apenas seguiu a trajetória escolhida pelo franco atirador. Mais um tiro no pé, na orelha, ou sei lá em qual parte da vida do telespectador que optou pela “La Albiceleste”. Só sei que foi assim: “certeiro no alvo e nada de raspão”.

No entanto, os 16 títulos da Copa América e o 22 estampado na camisa azul celeste, denunciaram a Rede Globo nas suas transmissões. Apesar de tornar mais uma vez o êxito dos “hermanos” menor, a história e o tempo revelarão a verdade como cantos felizes iguais os festejos das “hichadas argentinas” celebrando sua seleção em campo. E se a conquista da Copa do Mundo de 1994 pelo Brasil mostrou um amarelo ouro dominical, o sete a um na derrota para a Seleção Alemã de Futebol, e também o título perdido para a Seleção da Argentina de Futebol na Copa América de 2021, ambos os desastres no Maracanã, apresentaram um amarelo claro de vergonha no rosto e no sorriso, difícil de apagar e sem possibilidade de cortar; corta! Não dá!

terça-feira, 2 de julho de 2024

Boa Noite Salmão


Lembrança de uma lágrima, pétala, orvalho.
Boa Noite Salmão cintila em meio a vegetação.
Na sua companhia apenas um botão agasalhado,
No aguardo para desemaranhar em nova floração.
 
Fluxo da natureza, força que move, afago.
Sem toque, leveza que ativa boa sensação,
Nos olhos antes opaco, no espírito fraco,
Agora, certeza do devir na fria estação.
 
Outras cores no miolo, nova flor no formato.
Branco, roxo e amarelo em volta da criação,
Conduto de nova vida após alguns contatos.
 
Mediado pela borboleta atraída pela aromatização,
Pousos, voos, retornos, beijos como atos firmados,
Elo sacramentado a partir da natureza em evolução.

 

terça-feira, 18 de junho de 2024

Ser Sozinho


Ser sozinho
Igual ao passarinho.
Excluído, longe do ninho.
Rumo ao desconhecido.
Céu nublado.
Olhar cabisbaixo;
Desfalecido.
Gira mundo dia a dia.
De galho em galho,
Coração partido.
Penas caídas,
Canto sombrio.
Incógnito desígnio:
Onde, com quem,
Ou com o quê aninho?
Eu, sempre eu.
Abrigo, companhia e
Carinho.
Ser sozinho.

quinta-feira, 6 de junho de 2024

Instante

Instante singular:
Beija-flor, vaivém, voo.
Rápida(mente). Presente.
Instante, já foi!
Registro na lente.
De repente, terminou!
Instante solene. Materialmente.
Pretérito restou!
Naquele Instante.
Mnemosine polinizou.
Vida flore(sente).
Instantanea(mente).